segunda-feira, 31 de agosto de 2015

Esperança


Uma brisa que chega quando tudo parece perdido
Alimenta a fome, mata a sede...
Impõe sua vontade de lutar...
Nos obriga a resistir

Sempre traz boas lembranças...
Lutas travadas... vitórias conquistadas...
Um alento... um chamego...
Um calor que invade o peito

Chega sempre desesperada...
Devolvendo os sonhos...
Refazendo os castelos...
Juntando até mesmo o menor dos cacos

O seu nome esperança...
Linda, faceira... criança...
Sem o peso da angustia...
Apenas uma certeza... de que pra tudo tem jeito.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Receita de Ano Novo!


Para você ganhar belíssimo Ano Novo
cor de arco-íris, ou da cor da sua paz,
Ano Novo sem comparação como todo o tempo já vivido
(mal vivido ou talvez sem sentido)
Para você ganhar um ano
Não apenas pintado de novo, remendado às carreiras,
Mas novo nas sementinhas do vir-a-ser,
Novo até no coração das coisas menos percebidas
(a começar pelo seu interior)
Novo espontâneo, que de tão perfeito nem se nota,
Mas com ele se come, se passeia,
Se ama, se compreende, se trabalha,
Você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita,
Não precisa expedir nem receber mensagens
(planta recebe mensagens?
Passa telegramas?).
Não precisa fazer lista de boas intenções
Para arquivá-las na gaveta.
Não precisa chorar de arrependido
Pelas besteiras consumadas
Nem parvamente acreditar
Que por decreto da esperança
A partir de janeiro as coisas mudem
E seja tudo claridade, recompensa,
Justiça entre os homens e as nações,
Liberdade com cheiro e gosto de pão matinal,
Direitos respeitados, começando
Pelo direito augusto de viver.
Para ganhar um ano-novo
Que mereça este nome,
Você, meu caro, tem de merecê-lo,
Tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil,
Mas tente, experimente, consciente.
É dentro de você que o Ano Novo
Cochila e espera desde sempre.

Poema belíssimo de grande Carlos Drummond de Andrade  

domingo, 12 de outubro de 2014

Às Crianças


Como posso não amar e agradecer estes pequenos?
Se mesmo hoje, em mim, ainda trago meios traços,
De uma infância sorridente de bagunça e estripulia...
Onde tudo acontecia, no meu eu, seguindo um certo manual.

É nos sonhos de criança, aqueles meros, fictícios...
Onde não havia dor, nem choro ou dias de azar...
É exatamente nesses planos calculados, cronológicos...
Que entendo minha alma, minha ânsia de amar.


 Sandra Cotting

quinta-feira, 25 de setembro de 2014

Descoberta


E de repente aquela torpe fantasia se evapora, desintegra,
Já não tenho mais meu eu...
Minha existência que por vezes pareceu desmerecida,
Agora certamente encontrou razão de ser.

Descobri que sou estrela,
Que encanta com seu brilho refletido...
Que precisa de um sol, de um guia
De uma alma dominante eu seu altar.