sábado, 2 de novembro de 2013

Em homenagem ao Centenário do meu poeta preferido... Vinícius de Moraes


Soneto de Fidelidade

Vinicius de Moraes

De tudo, ao meu amor serei atento
Antes, e com tal zelo, e sempre, e tanto
Que mesmo em face do maior encanto
Dele se encante mais meu pensamento
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de espalhar meu canto
E rir meu riso e derramar meu pranto
Ao seu pesar ou seu contentamento
E assim quando mais tarde me procure
Quem sabe a morte, angústia de quem vive
Quem sabe a solidão, fim de quem ama
Eu possa lhe dizer do amor (que tive):
Que não seja imortal, posto que é chama
Mas que seja infinito enquanto dure

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Como me tornei educadora...

     
      Tento me lembrar quando foi que eu decidi que seria professora...
      Acho que não decidi. quando criança, eu queria ser médica pediatra... Sonhava em cuidar das crianças, consolar suas dores..Mas os anos foram passando e eu fui descobrindo que não daria certo pra mim... primeiro eu não tinha sangue frio suficiente pra ver uma criança sofrendo, nem pra conviver com dores reais, acidentes, doenças incuráveis e olhinhos amedrontados... alem disso, comecei a entender que eu fazia parte de um sistema, falho e desumano... Onde pessoas pobres não podem ser atendidas em clínicas particulares, mesmo que estejam morrendo, onde na saúde falta simplesmente tudo! Desisti.
      Aí por acaso, ou por obra do destino, quando eu tinha 17 anos, após fazer de informática, eu fui convidada pra estagiar como  monitora de informática...adorei a experiência... e me dei tão bem, que logo em seguida fui chamada pra dar aulas de informática educacional em uma escola. E foi assim, levando a crianças e adolescentes o conhecimento mágico da computação, que caí nessa profissão...  
      Me encontrei. Me profissionalizei e passe a exercer a função em tempo integral... 
      Hoje sou professora; de fato e de direito... por opção, por escolha... por amor!
      E nem posso dizer o quanto me sinto orgulhosa por isso.Tenho nas mãos uma arma poderosa e mesmo continuando refém do tal sistema; posso, me permito burlar, de certa maneira esse entrave... Me dou o direito de fazer a diferença... de ser diferente, de rever e reinventar a educação.
      E como me sinto feliz por ser eu professora... Realizada!
      Aprendi e aprendo a cada dia coisas novas... mudo de ideia... percebo que o impossível é possível... que fé e dedicação movem montanhas... Conheci crianças, jovens incríveis; inesquecíveis... histórias de lutas e sonhos... 
     E mesmo na luta por reconhecimento, minha recompensa é impagável e insubstituível... Olhinhos, infantís e mágicos... os jovens olhos sonhadores. ou mesmo os exauridos  dos anciãos... Ah, os olhos...! E Como brilham... e como sorriem e transbordam... espelhos das almas entusiasmadas pelo sabor de aprender...


     

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Dor de amor


Dói... mas é dor de alegria.
Dor de sonho... fantasia...
De respeito e devoção
Aquece o corpo, mas abranda o coração.

Dói de um jeito exigente...
Destonado... entorpecente...
Dor de pele, poro e tato...
De ternura; de loucura e de razão.

Dor que atiça por doer...
Inesperada... até fugaz...
Dor que marca corpo e alma...
Debochada, no desejo se desfaz.

domingo, 6 de outubro de 2013

Teu olhar...


Fonte e águas cristalinas...
Que me deixa entorpecida...
Teu olhar me inebria...
Me sequestra da razão.

domingo, 22 de setembro de 2013

Ah!... O amor.


Por que o amor é assim?
Será que de fato amamos?
Sabemos de fato amar, ou amamos a uma ideia...?
A ideia que fazemos do amor...?

Idealizamos o ser amado... nosso alvo...
Como se fosse um boneco inerte...
Podendo nele incrustar nossa realidade...
Moldar nosso "eu"; nossa mera vontade.

Se almejamos mudanças, então não se ama.
E se vê, quão complexo o amor pode ser...
Desejamos o ser, desejamos o ter... e que tenha a gente.
E que tenha da gente, o melhor que queremos.

E sim, nós amamos. E amamos com garra...
Garras de gavião; ousadas, seguras... até como posse.
E o amor que nos contos, de terno se retrata...
Na vida se espalha como carne ensaguentada.

domingo, 8 de setembro de 2013

teu ninho


Sou teu ninho
Onde deixas tua cria
Onde podas tuas asas
Onde a mim, só faz ninar

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Teu gosto...


Teu gosto me invade...
Insistente, inebriante...
Não aceitas a recusa...
Sou tua casa, teu final...

domingo, 4 de agosto de 2013

Pesadelo


De repente, um cenário descorado se apresenta sorrateiro...
Minha vida sem a sua... Vislumbro nesse instante.
Sem teu cheiro, sem teu gosto, sem teu toque...
Como pode? Sem isto eu nem existo...

Estremeço, me afogo... só de ver me desespero...
O meu corpo sem o  teu, minha alma sem a sua...Minha boca sem teu beijo...
Cadê o  teu sussurro ao pé do ouvido, Tua mão na minha pele incendiada?
Ah, quase entrei em desespero... Mas por fim, de repente, me chegou entendimento...Acordei.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

Engano



O tempo todo acreditei que houvesse me esquecido.
Que teu curso desfreado , tinha-me feito adormecer.
E nosso amor iluminado se rendido à escuridão...

E quão frios foram eles.. dias sóbrios, conformados...
Tempo cinza de amargura...
E uma dor latente e crua me invadindo o coração...

Dias tristes, ao olhar o horizonte...
Aquele visto pela alma, muito além da imensidão...
Noites cálidas, de paixão desamparada ,
 Sem te cheiro, sem teu toque... sem sabor ou emoção.

Mas o tempo, que por certo me parece muito ingrato...
Veio agora com nuances debochadas...
Me mostrar que do tempo não sei nada...
Sou escrava do saber e da razão.

domingo, 7 de julho de 2013

Propriedade


Nada mais pode ser feito...
Minha sombra já te segue como um ima...
Meus anseios, simples sonhos imperfeitos,
Já não são mais sonhos meus...

Se me guias feito o tempo, sempre certo...
Sou teu filho, teu cão ou tua escrava...
Nada posso, a não ser te ser fiel...
Ser teu corpo, tua mente e tua alma.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Dia dos namorados...





Hoje é um dia tão bom quanto os outros.
Tão feliz quanto o ontem... Durante nossas risadas,
Tão doce quanto teu olhar... Quando me olha apaixonado,
Tão bonito quanto as  renúncias que aceitamos... Um pelo outro.

Hoje são 11 anos... Mas já foram tantos...
E haverá mais 12, 13... 50... Quem sabe 1 milhão...
Enquanto o amor se sobrepor aos defeitos... Aos problemas...
Enquanto houver vida em nossos corpos... Ou em nosso espírito...

Seremos assim, um do outro. Almas gêmeas...
Duas partes de um todo... Duas metades...
Enquanto a dor for consolada por teu toque... e pelo meu...
Meu coração será fiel... De corpo, alma e mente...

E sei que assim serás à mim... Nem precisa me dizer...
Tão afável quanto o amor de uma criança...
Tão verdadeiro quanto à luz do sol...
Eu serei teu guia e tu serás meu porto.

domingo, 9 de junho de 2013

Onde estás?


Onde estás agora?
Se perdeu pelo caminho?
Estou na ânsia por teu voo...
Meu  menino passarinho...

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Só importa o amor!

E nos dias mais tristes vou lembrar:
Não há dor que o amor não cure...
Sempre atento, prestativo...
Nos tomando nos seus braços...

Não importa onde esteja...
Não importa a maneira...
Só importa o amor!
Esse nunca morre, nem tampouco abandona.

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Mais um dia...




Dias vão e vem...são apenas recomeços
No contexto, simples prendas de presente...
Trás à vida, outra chance na alvorada.
                               
Nascem feito risos leves, inocentes, sem sinais...
Com o sol, aliado genioso, só me trás de volta ao mundo...
À um mundo sem caminho, sem certeza, sem destino.

Sendo meros responsáveis pela luz da esperança...
Que acalma, que abranda, que renova nossas lutas...
Como assim, iria eu, controlar o desespero?
Se não fosse essa certeza de viver um dia inteiro
E reparar as avarias...

Oh! dias incansáveis, não me deixe assim tão cedo...
Tenho linhas pra traças, tenho xales pra tecer...
Assim, só de brincadeira, tenho a vida pra viver.

Qual sereno podes ser?
Mas não me sejas por demais, pois bem gosto da euforia...
De sugar de mais um dia,  toda luz, todo prazer.

Mas de certo , eu te ordeno: Vá, mas volte bem cedo!
Leve junto os infortúnios que hão sempre de aparecer...
E assim, quando na noite sossegar,  bradando a senhora do tempo...
Lembre de mim , aqui no meu leito tranquilo, por certo, repouso inquieta...
E dos ninhos, das flores... de todos seres viventes que esperam pra renascer.
                                                                                        (Sandra Cotting)

quarta-feira, 27 de março de 2013

Folhas ao vento





Voei  pra longe, eu sei...
E onde um dia eu tive um porto
Deixei  marca tatuada
Fui mais leve do que pude sustentar

Voei  depressa, insegura...
Na Incerteza de um tempo sem parada
Embalada em nostalgia
Me esvai , me fiz rogada...

E num mundo  onde o sol
Renasce preguiçoso,
Traz  as perdas do outono
E  as flores da esperança...

Veio alegre, debochado,
Um certo brilho,  um certo olhar...
Uma torrente inesperada
A magia de  amar...



sábado, 23 de março de 2013

Versos ao tempo




Um dia conheci  um garoto
De coração ressabiado...
Que se dizia mal de tudo...
Mas que de vero, era um achado...

Coração doce de criança...
De uma malícia imaculada...
De quem só vive da esperança...
De um amor na alvorada...

Um garoto triste e tolo...
Por se achar mal censurado...
És melhor que o suprassumo...
Com seu brilho enclausurado...

Um dia tive a alegria...
De viver entre seus sonhos...
Hoje sou só a saudade...
Que a vida nos traz aos prantos...

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Saudades da minha infância


Ai que saudade malvada
Da minha infância gostosa
das noites enluaradas
das tardes de animação

Da vida, eu nada esperava
Apenas as brincadeiras
Com pressa eu  ansiava
sonhando com a diversão

Menina, eu desejava
Que as manhãs nunca acabassem
Dos cheiros inebriada
Das prendas de minha mãe

Saudades que dói no peito
De um tempo que volta jamais
Da leveza e doçura da infância
Que a vida deixou pra trás.