domingo, 31 de julho de 2011

Dizimada


Então se fez a luz...
E meus olhos já não viam...
Minha boca já calava...
Meus sentidos rastejavam.
De que servia?
A repentina consciência...
Se meus lábios não podiam econtrar-te...
Se teus olhos brilhavam n’ outra direção...
Dizimada...
O coração petrificado...
O sangue quente... Vermelho...
Já não tinha consistência.
Um corpo inerte...
Exausto de desejo...
Quase inanimado...
Se não fosse a fome voraz.
Onde estão as minhas presas?
Que não se utilizam do instinto...
Onde estás coragem programada?
Me foges bem agora...
Assim me deixas sem saída...
Não posso  ao menos esconder-me...
Não tenho mais a mim...
A essência já não resta...
Sucumbiu.-se a existência.

( Parte integrante do meu livro de poemas "Palavras Soltas")

quinta-feira, 28 de julho de 2011

O que dizer sobre a morte?

    
    Não posso negar que sinto arrepios só em falar ou ouvir essa palavra. Todos nós temos “um certo” bloqueio, quando se trata desse assunto.

   Eu, como a maioria das pessoas, procurava não pensar “Nela”. Apenas quando morria alguém conhecido ou parente, me pegava refletindo sobre o tema. Mas, fugia da reflexão como o diabo foge da cruz (kkk).
     Foi em um desses momentos, que entendi, ou melhor, comecei a entendê-la...
     O que é, senão uma passagem? Frase feita essa. Frase que ouvi durante todos os anos da minha vida, sem nada entender.
     É fácil dizer isso quando se trata dos outros. Mas, e quando nos deparamos com a morte de alguém que amamos, que convivemos... Alguém que faz parte da nossa vida de forma incondicional? Aí tudo muda de figura; é desesperador perder! Perder alguém então, é enlouquecedor. Nós, seres humanos, não aceitamos a perda.
     Há algum tempo atrás, eu vivenciei uma situação constrangedora...
     O Filho de um amigo havia falecido e eu me vi na obrigação de ir ao velório ( Coisa que odeio ) e dizer alguma coisa para consolá-lo. Situação difícil essa, o que dizer? Eu não tinha Idéia alguma. Na dúvida, não disse nada.
     Nesse dia, mais tarde, quando fui pra casa, eu comecei a pensar...
     Como pode a morte ser o fim, se a parte realmente importante do ser continua?
   Digo isso porque, quando alguém morre seu corpo deteriora, mas muitas outras coisas continuam vivas... as lembranças, os sentimentos; e porque não o espírito?
    Eu sempre fui meio cética, mas com o tempo comecei a mudar meu conceito sobre as coisas. Eu vivi tantas experiência  espirituais, que esse mundo passou a fazer parte da minha vida.
    Não teria lógica alguma imaginar que tudo acaba com a morte. E que todos os laços se rompem. Tudo isso permanece. O amor verdadeiro é eterno. As pessoas de alguma forma irão se reencontrar... A morte é uma coisa suave. É apenas uma viagem, pra outra dimensão.
   Essas afirmações fazem parte do que eu acredito. Não posso afirmar isso com 100% de certeza, mas posso dizer que são minhas verdades e convicções. Posso dizer também que se todos olhassem a morte dessa forma, poderiam ser mais felizes; Aproveitando ao máximo o precioso tempo, que nos é permitido conviver com as pessoas que amamos na terra; e nos despedir dessas, quando se forem, sabendo que um dia certamente iremos nos  reencontrar.

                                      (Sandra Cotting Baracho)

     
   


domingo, 24 de julho de 2011

Algo mais que paixão...

                                                                                

 É só lembrar de você, que  meu corpo se derrete...
Sinto até desfalecer.
Pura ilusão...
Continuo firme e viva.
Muito viva por sinal!
 Mas me falta um pouco o ar...
Chego até a duvidar...
 Se sonho, ou se é verdade...
Como pode alguém assim, sem fazer nenhum esforço...
Me desvirar pelo avesso?
Me ponho a imaginar, se não seria loucura...
Te entregar a sanidade, e me fazer sua sombra...
Afinal, sem ti... Nem vivo!
Sou talvez experimento...
Que espera o  complemento...
Pra entrar em combustão.
E Se acordo e não te vejo em pensamento...
Penso logo na oração... Por favor, meu Deus amado,
Me devolva minha vida!
 Meu amado se escondeu...
Sinto me faltar o chão.
Com a voz quase embargada...
Tento eu, chamar teu nome...
Seu sorriso estonteante...
Venho assim a recordar.
                                                Então, percebo logo...
Lá está minha razão...
Só me deixou um instante...
Voltou, enfim a perturbar.
Como pude imaginar... Que ele não mais existia?
Se fosse assim, não poderia...
Estar sequer, a respirar.


( Parte integrante do meu livro de poemas "Palavras Soltas" )








domingo, 17 de julho de 2011

Ância...


Ância de você...
Quando meu corpo arrepia de frio...
E sonho com o deleite dos teus braços...
Minha alma te procura nas diversas dimensões.
Aquela linha imaginária...
Que me remete ao infinito...
Fica ainda mais distante...
E visível... Terrivelmente visível.
E te procuro...
Dentro de mim...
E te encontro...
Latejante... Exigente...
Então eu grito...
Calada... Consumida...
Conformada.
Meias verdades...
Vou lutar...
Erguer as armas...
E desistir.
Vou  acreditar na calmaria...
Entregar-me...
Me deixar levar ao horizonte.
E esperar...
Náufraga...
À deriva de você.
                                                             
    ( Parte integrante do meu livro "Palavras soltas")